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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um dia sem luz


    Eram 16:30 quando resolvi entrar na internet. Tudo era muito comum e normal para mim, exceto ver o garoto que sou apaixonada online no msn.  Sem perder tempo, logo falei com ele.
    Conversamos sobre diversos assuntos e acho que até ficamos “amiguinhos”. Quando criei coragem para perguntar se ele era afim de alguém da sala (ele é da minha turma), a luz acabou e o computador desligou. Olhei assustada e sem reação para ele. Após alguns segundos, quando consegui me mexer, vasculhei o nobreak não compreendendo o motivo de ele ter desligado, sem aguentar a queda de energia.
    Em um surto de raiva e irritação chutei o nobreak e quase joguei o monitor no chão, mas manti o controle e optei por tacar uma almofada nele. Peguei uma outra almofada e comecei a morde-la, arrumando uma forma muito esquisita de me acalmar.
    Droga, eu estava sem internet, sem resposta, sem televisão, sem Malhação (novela que eu amo). Xinguei a distribuidora de luz de todos os nomes possíveis enquanto procurava meu Ipod. Para minha falta de sorte, coisa que eu já estava acostumada, meu Ipod tinha pouquíssima bateria e durou apenas duas músicas.
    Sem ter muita opção de ter o que fazer, fui até a janela do meu quarto com a intenção de ver o pôr do Sol. Sorri enquanto abria a persiana, mas meu sorriso se transformou em um bico desanimado quando vi o tempo. Chuvoso, nublado e um pouco frio até. Reclamei e saí do quarto furiosa.
    Andei sem rumo pela casa, que ficava cada vez mais escura. Procurei pela lanterna, mas minha mãe e o chato do meu irmão mais velho a utilizavam na sala de estar. Aproveitei a oportunidade para ficar mais perto da minha mãe, que reclamava da minha falta de tempo com ela. Meu irmão, no princípio, não gostou da ideia da minha repentina atenção, mas sei que no fundo ele adorou, principalmente nas oportunidades que tinha para implicar e zoar da minha cara.  Foi um gostoso momento de descontração com minha família. Acho que os jovens de hoje em dia (como eu, por exemplo), deviam dar mais valor e atenção à família e não só dar importância extrema a internet.
   Quando meu pai chegou do trabalho, assustou-se em nos verem juntos como uma família de verdade. Na maior parte das vezes não somos assim. Pouco tempo após sua chegada, a energia retornou, mas continuei por mias uma hora na companhia das pessoas que tanto amo.
    Após o jantar, não resisti a tentação e voltei a internet. Enquanto o PC ligava, coloquei meu Ipod para carregar. Quando a homepage do meu msn abriu tive uma agradável surpresa com as mensagens offline. O meu suposto “amigo” disse que era afim de uma garota, mas que não podia me contar quem era. Depois disso, perguntou várias vezes porque saí de repente do msn. Para a minha sorte ele estava online. Retomei a conversa explicando meu dia de uma hora sem luz e contando a lição que aprendi hoje: a família é a coisa mais importante na nossa vida.  

sábado, 1 de maio de 2010

Identidade secreta


  Era o primeiro dia de aula na minha velha escola. Tudo era igual aos anos anteriores. Sentei no mesmo lugar de sempre e cumprimentei meus amigos, contente por revê-los.
  Estava arrumando tranquilamente meu material novo quando ouvi uma voz de sino. Procurei nos arredores da sala curiosamente o dono da bela voz e me deparei com o garoto mais lindo que já vi. Com cabelos pretos, uma pele perfeita e um sorriso encantador. Olhei admirada com sua beleza e seus belos olhos azuis se encontraram com os meus, fazendo-me corar e retornar a arrumar meu material.
  Os dias foram se passando e eu ficando cada vez mais obcecada por esse menino novo. Já não conseguia prestar atenção nas aulas e minha mente vagava apenas imaginando nós dois juntos. O pior era quando meus olhos não me obedeciam e eu o olhava. E isso acontecia constantemente. E era ainda pior quando ele olhava para mim. Já estava virando amor platônico, principalmente na segunda semana de aula, onde ele já era popular e desejado por todas as garotas da escola. Obvio que ele irá preferir uma garota bonita e popular e isso excluía as poucas chances que me restara.
  Numa aula de geografia, o professor surpreendeu-me passando uma atividade em dupla. Inevitavelmente olhei para David - esse é o seu nome – e levei um susto ao ver sua mesa juntando com a minha.
   - Posso fazer dupla com você? – ele perguntou suavemente. Ouvi aquela voz de sino diretamente para mim. Derreti por dentro, mas mantive minha postura séria, ele nunca poderia desconfiar dos meus verdadeiros sentimentos.
   - Pode sim. – respondi tentando ser indiferente.
   O clima entre nós era tenso. Tentei distrair minha mente com as instruções do professor, mas era impossível com ele ao meu lado. Minha concentração simplesmente desaparecia. Ele estava tranquilo, mas ao ouvir um “bip”, enrijeceu seu corpo. Mexeu discretamente em sua mochila e retirou um objeto eletrônico de dentro dela. Fingi não prestar atenção no que ele fazia e acompanhei as coisas apenas com minha visão lateral. Ele sussurrou palavras estranhas e voltou a aguardar o objeto. Em sua carteira havia um pedaço de papel enrolado. Peguei-o rapidamente e o coloquei no bolso, sem que David percebesse. Agi normalmente e enfrentei aquela complicada aula.
   Assim que o sinal anunciando o fim da aula bateu, corri para o banheiro e li o misterioso papel. Nele estava escrito: “Parabéns por sua primeira missão oficial.” No início não compreendi o que significava aquilo. Decidi, então, seguir David. Ele ficou durante um tempo na escola e depois partiu para um campo repleto de flores, arvores, arbustos, moitas. Escondi-me atrás de uma moita quando ele parou a sombra de uma arvore para falar ao telefone. A conversa era confusa e apenas uma parte me fez entender tudo.
   - Amo ser espião, é a minha paixão, mas não posso cumprir minha primeira missão. É perigosa de mais.
   Meus ouvidos custaram a acreditar, mas era real. O aluno novo e meu amado era um espião.