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sábado, 1 de dezembro de 2012

Último texto de amor

Sorrir, mesmo enquanto seu coração desmonta, parece fácil. Ignorar aquilo que mais te afeta parece um bom antídoto para os problemas, mas apenas retarda tudo que foi evitado antes. Dizer que tudo está bem quando na realidade o seu interior está destruído não soluciona o motivo da dor. Mentir nestas situações só deixam os outros felizes, não você.
Eu jurei a mim mesma que não escreveria mais sobre o amor, mas minha mente está tão desnorteada que não consigo pensar em qualquer outro assunto avulso. E por mais que eu diga que odeio amar, não posso privar minha vida de um sentimento tão nobre. Aliás, que fútil e triste seria uma vida sem amor! Amar é gostoso quando tudo vai bem. É sonhar acordado e ver que o motivo da sua felicidade está bem ao seu lado. A vida é vista sob outra perspectiva – tudo é mais belo e colorido – quando o amor provoca cócegas no coração. Por outro lado, amar é terrível quando tudo vai mal. É um tiro no próprio pé; um sabor amargo na vida e na boca. Tudo parece lúgubre, as cores descolorem; a alegria perde sua vivacidade e a tristeza corrói o coração do fiel amante sofredor. É a dor mais aguda, o suspiro mais pesado, a loucura mais desesperadora. Resumindo: o amor é o melhor sentimento frágil e o pior forte. E será que vale a pena se arriscar nessa louca aventura mesmo ciente de que normalmente o final não é feliz? Eu teria todos os motivos para dizer que não, mas vale e por muitas explicações. Amar e compartilhar coisas com alguém ensina muito sobre lidar com pessoas e sentimentos, assim como a escola é a melhor forma de adquirir conhecimento.
“Eu acho que eu te amo.” Será que isso era o melhor que eu podia dizer para anunciar o fim? Começar é um mar de rosas comparado aos espinhos do fim. Se o início é risos, o final é dor. E como machuca ver a pessoa que você gosta sofrendo por você, por uma decisão egoísta sua. Ver as lágrimas dele causadas por mim arde tanto quanto gotas de sangue escorrendo das minhas feridas internas. Queria poder acalmá-lo, mas isso seria impossível sendo eu o motivo que o faz chorar. Detesto fazer mal as pessoas que amo, mas não há outro jeito. Um dia, mais cedo ou mais tarde, esse lastimável momento chegaria. Todo sonho – ou mesmo pesadelo – alguma hora chega a seu final.
A quantos terremotos sobrevive uma história de amor, por mais sólida que ela seja? Um casal quando se unem dão as mãos e quanto mais sólida e intensa é a relação, mais firmemente as mãos ficam entrelaçadas. E de repente uma avalanche passa sobre o casal. Eles sobrevivem na primeira; se mantêm unidos na segunda, mas na terceira... A avalanche fica cada vez mais intensa e constante. Até que a força da união é quebrada e as mãos se desentrelaçam. Eu me perdi por entre a neve e me afoguei na quantidade de promessas. Aonde eu estou agora? Não consigo enxergar por essa neve, tudo parece tão escuro e obtuso. Eu me perdi na intensidade dos meus sentimentos e não consigo mais me encontrar. Eu realmente acho que te amo, mas não posso e não consigo mais continuar. Não dá!
Ah, amor. Como resistir aos encantos de desencantos do amor? Eu sei que eu prometi que não escreveria nada mais sobre isto, mas acho que você é minha única exceção. 

domingo, 2 de setembro de 2012

A beleza e sua agressiva natureza



Uma inegável verdade é que todas as mulheres do mundo querem ser belas e desejadas. Independente de sua cultura e região, todas buscam a beleza e o segredo da perfeição. Mas até onde toda essa cobrança em cima das mulheres pode chegar? Será que a sociedade atual está exigindo demais e se esquecendo do essencial, que existem outras coisas mais importantes do que a aparência?
Ontem enquanto acessava a internet e estava de bobeira lendo artigos fúteis, vi no perfil de uma pessoa conhecida minha a pergunta que normalmente sempre fazem: “Quem são as garotas mais bonitas da sua série?” Não entendo essas competições que rolam entre as garotas sobre aparência, defendo a hipótese de ser um reflexo natural da exigência dos homens em encontrar a “garota ideal”. Não culpo minha própria espécie feminina, detesto ser cobrada ou comparada quando se trata de físico e a maior parte dessa cobrança não vem necessariamente dos homens, mas dos amigos da escola e principalmente da família. Mas retornando a minha história, a pergunta foi feita e alguns nomes foram ditos. Não me importaria com uma questão tão trivial se na pergunta posterior o meu nome não estivesse envolvido. Alguma alma cândida citou meu nome e o de outras meninas – nessa hora não pude deixar de me sentir lisonjeada – como outros exemplos da pergunta anterior. Se a bosta do site não fosse “ao contrário”, nesse momento eu começaria a me interessar e leria mais. Só que vi a pergunta que me ofendia primeiro e depois li as outras. De qualquer modo uma alma infeliz e invejosa – ou devo dizer realista? – disse que eu e outra menina não éramos bonitas e não merecíamos “mérito” nenhum. Com uma pitada de desrespeito a minha integridade moral – ou também despeito meu, isso eu assumo – a criatura dona do perfil respondeu “não, em momento nenhum eu disse que a Thamires é bonita”. Na hora em que li aquilo eu fiquei revoltada e pensei em como existe gente falsa ao meu redor. Xinguei os desconhecidos e toda a geração da família deles de nomes feios e impróprios que não convém citar aqui. Mas mal sabia eu o quanto aquela besteira podia me fazer bem e presentear-me com reflexões que espero levar para o resto da minha vida e usar toda vez em que me sentir triste e com a auto-estima baixa.
Para as garotas que estão lendo eu digo que ninguém tem o direito de te pôr para baixo. Diga para si mesmo que é linda e assim passará mais confiança para as pessoas ao seu redor. Não confundam arrogância e presunção com sentir-se bem consigo mesma. Para os garotos, nunca coloquem uma garota para baixo quando não sabe quase nada sobre a vida dela. Não ria, não brinque, não faça com ela o que você detestaria que fizesse contigo. Cuide como se ela fosse uma flor sensível e delicada, por mais forte e resistente que ela pareça ser.
Deveria eu me sentir feliz pelo elogio de um ou chateada pelo desprezo de dois? Feliz, é claro. E não porque um me acha aceitável, mas sim porque estou satisfeita da forma que sou. E você, caro leitor, aproveite minhas doces cogitações e mude sua postura para com si e os outros. Como diz nosso querido principezinho “o essencial é invisível aos olhos”; não deixemos que as aparências nos enganem a respeito do caráter.
Não serei hipócrita em falar “não me importo com o que dizem” quando no princípio o ridículo realmente me afligiu. Só que eu me olhei no espelho, reconheci meus defeitos e minhas qualidades, valorizei o que havia de melhor e coloquei os acessórios que mais me agradam. Talvez o segredo da beleza seja mais simples do que achamos. Para ser linda basta se olhar no espelho com o sorriso mais sincero e se deliciar com a sensação de ser especial. Se alguém disser que você não pode ou que você não é, ignore. Não caia, o que não mata nos fortalece. Fuja das regras da sociedade, fuja da moda. Crie seu estilo, mude o visual, vista o que mais lhe der prazer. Seja original, tenha seu estilo, seja você. Não vai ser uma, duas ou três pessoas que irão me derrubar com comentários mesquinhos de opinião particular se eu me armar com minha proteção. E não existe proteção mais forte do que a confiança: confie em si mesmo e em seu potencial e verá o quão distante poderá alcançar. Tenha fé e paciência, espere. Mire-se no espelho todo dia, veja a mudança. Mude sempre que desejar para se sentir melhor, jamais para agradar alguém. Se você tem algum problema externo e acha que não pode mudá-lo, lute contra ele. Se for gordinho, corra; se for magro, faça exercícios; se tem espinhas, cuide da alimentação e frequente um médico; se não gosta do seu cabelo vá ao cabeleireiro. Mas nunca se esqueça de ser o que é; não permita que a beleza externa afete sua essência.
E um último recado para as meninas antes que eu me empolgue e escreva mais três páginas. Sempre que sair para qualquer lugar, principalmente à escola, vá ao espelho e arrume do seu gosto tudo que incomodar. Penteie os cabelos, passe uma base, um gloss incolor ou colorido, se enfeite e repita três vezes para sua imagem “eu estou linda”. Sorria porque a vida é bela assim como você e valorize acima de tudo suas outras qualidades. Encontre o seu dom e o explore para se sentir única em relação a todos que te rodeiam. Você pode brilhar como uma estrela, confie nos seus talentos e não deixe que a inveja, o pessimismo ou qualquer sentimento alheio te apague. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Vai um abraço ?

Voltei a escrever. Retornei num momento de revolta e recorri ao meu amigo mais próximo. Quem melhor para me acudir do que as boas e velhas palavras, seja ela escrita ou digitada? Ah, eu me sinto tão sozinha agora, tão perdida na imensidão das minhas reflexões. Por que de uma hora para outra as pessoas resolveram me esquecer? Ser ignorada por quem mais estima é tão doloroso.
É bom ter o meu velho blog. Aqui eu posso escrever qualquer asneira, bobagem, loucura da minha mocidade e ninguém vai ler ou se importar. Os poucos que lerão, rirão. E assim eu quero que o seja: somente eu quero penar com minhas dores não dolorosas. É, eu tenho mania de reclamar falso sofrer. Não, eu não estou sofrendo, somente exagero. Queria só um ombro amigo, uma companhia, um pouco de atenção. Cansei de gritar em silêncio, rezando para que alguém ouvisse e se apiedasse.
Hoje eu tive um momento tão fantástico de inspiração que por uma hora me senti a escritora mais fantástica do ano (sou humilde). Por um instante eu imagino em como seria minha vida se em algum dia isso se concretizasse. Ela seria tão falsa e fútil quanto a vida da maioria das pessoas da mídia. Todos se aproximam pra tirar uma "casquinha" da fama alheia, todos querem sua atenção somente para colher benefícios próprios em troca. Sinceramente eu cansei do egoísmo do ser humano. Por que pensar só no nosso umbigo é tão mais fácil do que zelar pelo umbigo alheio?
Se eu valesse alguma coisa me alugaria como conselheira ou daria abraços gratuitos. Um abraço seria tudo pra mim nesse momento agora.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Amor e outras drogas: Amor Platônico


Alguns problemas na vida podem nos machucar, outros, servirem de aprendizado, mas tudo pode ser superado dependendo da maneira como encaramos.
Há pessoas que odeia o amor, outras que o criticam e ainda aquelas que não sabem lidar com um sentimento tão delicado e ao mesmo tempo forte, mas ninguém pode dizer que o amor verdadeiro não é real nos dias atuais.
Eu acredito que existam diversas formas de amar, mas a mais ridícula de todas elas é o amor platônico. Nunca andei de mãos dadas ou em sincronia com o amor, mas o segredo do amor platônico jamais eu desvendarei. Ele simplesmente não faz sentido, não há uma lógica que o una com ideias racionais. Apenas a emoção gira em torno desse estranho sentimento.
Alguma vez li em algum lugar que o termo “amor platônico” vem das ideias de Platão, mas não faço a menor noção do que isso significa. O que eu sei é que amar alguém ilusório é a maior burrice das fantasiosas mentes juvenis. Apaixonar-se por alguém que não vai retribuir é uma idiotice; coisas de quem gosta de arrumar motivos para sofrer. Então querida leitora apaixonada pelo Justin Bieber, saiba que ele nunca irá casar com você. E você também nunca perderá sua virgindade com o Taylor Lautner ou pegará o Robert Pattinson. E para os garotos, não fofo, você não comerá a gostosa da Megan Fox ou a Jessica Alba. Não se iluda com amores impossíveis, tome um choque de realidade antes que seja tarde demais...
O amor platônico parece sempre perturbar a mente e o coração dos adolescentes mais vulneráveis; sempre querendo alguém impossível para juntar as escovas de dente. Às vezes “desejar” o parceiro mais excêntrico dura pouco, uma breve passagem de deficiência mental humana. O triste é quando essa deficiência se prolonga e a pessoa de apaixonada por seu “ídolo” vira obcecada. Pior ainda é quando ela cai na real de que jamais será nada da outra pessoa e sofre com isso. Extrema burrice – e nem adianta dizer que não mandamos no coração que nesses casos nem é paixão, é loucura mesmo. Tem horas que o ser humano perde o senso do que pode acontecer e o que nunca passará de sonhos.
É por isso que eu não consigo gostar do amor. Ele tira nossos pés do chão e nos dá asas, para voarmos até o infinito. Uma lástima esse infinito se limitar a um muro de concreto, onde batemos nossas faces e voltamos ao chão, à dura realidade. Talvez se o amor não fosse tão ligado aos sonhos, poderia haver lógicas e fundamentos que pudessem o explicar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Capitalismo X Natureza


O nosso planeta Terra está com os dias contados, mas as autoridades parecem não se importarem com isso. Todos só querem esbanjar, sem pensar nas consequências que os atos terão no amanhã.
É tão bom quando a economia do país cresce e ele vira um dos que apresentam maiores crescimentos no PIB, no FMI e no número de mercado consumidor. Para todo esse dinheiro que entra e sai há um preço irremediável a se pagar: a destruição da nossa natureza, em especial aos nossos rios. O Brasil é privilegiado, tem o maior rio em volume de água do mundo (Amazonas), uma das maiores usinas hidrelétricas (Itaipu), um rio referência que passa por quase todo nordeste (São Francisco) e sem contar com as águas subterrâneas e aquíferos espalhados por nossa extensão territorial. O principal problema é na má administração de toda essa preciosa água doce.
Não há maneiras de misturar capitalismo com natureza. São duas escolhas distintas, opostas, de forma que não há como andarem juntos. Para manter toda a economia do país é preciso optar pelo capitalismo, pelo dinheiro, pelos lucros. Para lucrar precisamos de investimentos (normalmente) estrangeiros e assim damos um espaço no país para essas empresas interessadas em explorar alguma área. A dificuldade é quando essas empresas pecam e degradam algo que pertence à nação.
Ultimamente um fato comum de ouvirmos nos telejornais são os vazamentos de óleo no mar. As embarcações, relacionadas à extração de petróleo (por isso o problema é mais comum em lugares como o Rio de Janeiro), se descuidam por um momento e causam graves danos com os milhares de litros de óleo lançados no mar. Para que todos tenham noção do mal que esses descuidos ocasionam, o óleo é uma substância não solúvel em água, ou seja, o óleo e a água não se misturam, formando assim camadas visíveis de cada substância heterogênea. Sem contar que poluindo assim o mar, além de prejudicar a vida marinha e a pesca, danifica também o estado dos rios e lagos.
Uma coisa que seria interessante ser explicada é o motivo das altas multas que essas empresas precisam pagar ao governo. O dinheiro não vai ser investido em tratamentos para o mar, muito menos na remoção desses resíduos despejados. Ao menos se fossem utilizados para programas de sustentabilidade e incentivo a proteção das águas seria uma branda compensação (mesmo tomando essas medidas os mares não seriam os mesmos de antes), mas sabemos que grande parte do dinheiro, senão ele todo, não é usado na área de proteção ambiental. Resta saber até quando iremos assistir mais péssimas notícias sobre novos vazamentos e nada além de arrecadar dinheiro seja feito. Não adianta cobrar multas milionárias e apenas ficar por isso mesmo. O ideal seria baixas multas (no máximo na casa das centenas de milhar, dependendo da gravidade do dano) e a remoção nas regiões afetadas pela própria empresa do óleo derramado. Só assim teríamos a confirmação de que nossas águas estão sendo tratadas da forma que devem ser. Aliás, se analisarmos a atual situação do mundo, a água não é totalmente um recurso natural renovável, pelo menos não a única água que ainda podemos beber. Por isso, eu, você e todos nós temos a obrigação de preservar a nossa riqueza natural: a água doce em abundância.

Sonho de uma noite de primavera


Era um dia gelado para a primeira semana de primavera. O céu estava escuro e carregado, pronto para despejar suas gotas de chuva e limpar toda essa terra, apesar de ainda nem ser 16h.
Meus amigos mineiros e eu estávamos sentados na porta de um médio shopping. A ficante do tarado Paulo, Amanda, havia feito algumas compras e eu, ele e o Heitor a acompanhávamos. Heitor era o gay do grupo, então não tinha aquela história de quatro é par. Novamente eu assumia o que mais sei fazer de melhor: segurar vela. Aliás, meu apelido é poste de luz, de qualquer forma eu sempre brilho. Pelo menos dessa vez eu agradecia por ter o Heitor de companhia.
Em frente à calçada onde todos conversavam alegremente, havia um rio. Esverdeado e sereno, ele exalava um agradável cheiro de maresia. Alguns conhecidos nossos brincavam nele de se molhar tão demasiadamente que até teimosos respingos nos atingia. O mais estranho é que eles vestiam o uniforme do ensino fundamental da escola de Santana. Todos os três ou quatro.
Depois de assistir aquele momento infância na adolescência, decidimos andar. Quando passávamos pelo segundo quarteirão depois do shopping, alguém se aproximou. A pessoa andava ao meu lado, acompanhando todos os meus passos. Temi ser seguida e grudei no Heitor, quase dando o braço a ele. A pessoa insistiu e eu comecei a me preocupar. Mordi os lábios e apertei o passo, sendo surpreendida por essa mesma pessoa pousando a mão em meu ombro. Estremeci.
Dei uma breve espiada para o lado, assim como a Janete olha quem está lhe bulinando e revirei os olhos ao confirmar quem era. Um idiota, apenas um idiota. Um imbecil que fazia meu coração acelerar toda a vez que estava perto demais de mim. Um estranho que jamais falava comigo na claridade. E desde a semana em que eu decidi parar de dar moral, ele anda com a expressão de quem muito quer falar. Mas nada fala, ele nunca fala nada. Já fazia quatro semanas que não ficávamos e o mesmo tempo sem nos falarmos. Ele estava inquieto e eu dilacerada.
Um passo para o meu lado me fez ficar alerta. Ainda com a mão em meu ombro, ele me desacelerou e se aproximou do meu ouvido. Olhei para os outro, mas ninguém havia notado sua presença.
- Você já faz parte da minha vida. – mansamente ele sussurrou, acariciando meu cabelo.
Tive o árduo trabalho de normalizar minha respiração. Por dez segundos ela havia endoidado. Continuei ignorando aquela fala como se ela fosse impassível para mim, andando sem lhe dar a menor atenção.
Ele parecia indignado com a minha indiferença e mesmo assim demorou um minuto para tomar uma atitude. A atitude que sua maldita timidez sempre impedia. Contrariando todas as minhas expectativas, ele puxou meu braço e me impediu totalmente de prosseguir. Parei analisando-o, sem compreender aquele gesto. Evitei me prender na hipnose que seu rosto exercia sobre mim e demonstrar o quanto aquilo me deixava nervosa.
Olhei para trás e os outros nos olhavam, sorrindo maliciosamente. Corei, envergonhada. Paulo fez alguns gestos que optei por ignorar antes de continuarem caminhando.
Estranhei ao ver aquele idiota indo para um canto. Segui e parei a um metro de distância. Ele me fitou e eu me odiei por deliciar-me naqueles incríveis olhos verde-musgo. Mas por que será que o brilho dos seus olhos são ainda mais lindos quando encontram os meus? Controlei minha mão para que ela não caísse na tentação de tocar sua pele translúcida e seus lábios rosados. Encostei minha cabeça na parede e o contemplei.
- Por que você só fala comigo bêbado? – perguntei de repente, a revolta tomando as rédeas da minha boca.
Ele parecia sossegado quando ouviu a minha pergunta. Deu um sorriso de canto de boca que quase me enfartou e olhou para o chão, envergonhado demais para me encarar.
- Eu sabia que você iria perguntar isso – ele respondeu.
Esperei paciente que ele completasse a resposta dando alguma explicação, mas ele manteve seu olhar preso no chão. Eu sabia que ele queria me falar alguma coisa, mas não conseguia. A frase estava presa em sua garganta. Instei que ele falasse apenas com o olhar, quando percebi que sua mão tremia minuciosamente. Ele voltou a me olhar assumindo um tom sério, um misto de agonia na sua expressão duvidosa. Hesitou duas vezes ao abrir a boca.
- Eu te amo. – ele pronunciou com emoção, para o meu desespero interno. Eu poderia esperar tudo, menos aquela tão incomum frase.
Ameacei a falar, mas as palpitações do meu coração e o susto não deixaram. Minhas pernas tremiam e eu deveria me lembrar de respirar frequentemente.
Enquanto eu pensava em como argumentar contra aquela frase, ele ia para a calçada. Eu estava desnorteada, perdida nos meus confusos pensamentos e nos fortes sentimentos. Ele voltou para o canto e segurou minhas duas mãos suadas, me conduzindo para o meio da rua. A intensidade dos seus olhos junto aos meus fez com que qualquer mentira soasse como a mais bela verdade.
Ao chegar à rua, senti frias gotas de chuva em meu rosto. A cada segundo elas ficavam cada vez mais gordas. Mas eu não me importava com a chuva, estava com ele, numa rua deserta. Impiedosas, elas molhavam meu cabelo, arruinavam meu penteado e encharcavam minhas roupas. Mas para compensar ele estava à minha frente, segurando firme em minhas mãos e abrindo o sorriso mais lindo somente para mim.
Como no início de uma dança, ele me girou lentamente e aproximou seu corpo do meu me puxando pela cintura. E como no Dance in the rain dançamos com uma perfeita sincronia ao som das intensas gotas caindo na terra. Nossos rostos ficaram a milímetros de distância. Eu podia sentir seu hálito, sua mansa respiração, sua enorme vontade de tocar meus lábios com os seus.
Nossas bocas quase se tocaram. Mas eu acordei, despertei e percebi que tudo aquilo não passava de um lindo sonho. E uma frase como essa jamais será dita por ele na dura realidade, porque enquanto eu sonho com seus olhos, eles olham cintilantes para os olhos de outra.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

New Age, new things

Mais um ano chega. Renovação, transformação, mudanças: essas são as palavras mais usadas na virada. Mas será mesmo que mudamos durante o ano novo? E para que mudamos? Para agradar a nós mesmos, para agradar os outros ou simplesmente por querer mudar? 
Existem coisas que não há explicação. Falsas promessas é uma delas. Sabemos que não iremos cumprir, então por que prometemos? A mente do ser humano é uma outra coisa que não tem explicação. Seres complexos, indecifráveis e estranhos. É sim, nós somos estranhos e meio doidos, não podemos negar esse fato.
Mas o ano novo é uma época próspera. É mais uma chance que a vida nos dá para termos 365 dias (nesse ano será 366) e fazermos o que não foi feito no ano anterior. Terminar projetos inacabados, começar um novo, ter novas boas ideias, criar, inovar... A boa é aproveitar a vida com moderação. Ser feliz, buscar a felicidade, sorrir sempre. Não desanimar, não desistir, jamais abaixar a cabeça. A vida é uma caixinha de surpresas; se o ano começou ruim, pode terminar como o melhor. A dica é jamais desistir dos seus sonhos e sempre correr atrás dos objetivos. Mesmo com todas as berreiras, aprenda a derrubá-las e colher os frutos do belo jardim da vitória. Não seja empurrado pelos seus problemas, em 2012 corra atrás dos seus desejos. 
Essas são minhas dicas para um ano melhor. Aprenda com cada dia, melhore sempre, ajude o próximo, amadureça espiritualmente e mude suas atitudes se quer um ano diferente. Um feliz 2012 a tout le monde !