Minha mente estava absorta enquanto lia uma longa carta que aparecera em meu caderno. Meu coração martelava freneticamente e era impossível tentar controlá-lo. As emoções presentes em mim e na pessoa que escrevera a carta eram explícitas. Precisei relê-la diversas vezes para compreender o que estava escrito, já que meu cérebro era incapaz de crer em tais palavras.
Depois de alguns minutos procurei pelo meu telefone desesperadamente, como se minha sobrevivência dependesse dele; e, de certo modo, dependia. Quando o encontrei, disquei um único número em especial. Enquanto o telefone chamava, cruzei os dedos para a pessoa atender.
- Alô?
- Oi Gabi, tudo bem? Aqui é a Duda. - minha voz saiu trêmula.
- Oi Duda! Aconteceu algo? Conheço essa sua voz.
- Preciso que você venha aqui em casa com URGÊNCIA.
- Ta, já estou a caminho.
E assim, com a pequena distância entre a casa da Gabi e a minha, ela chegou a menos de meia hora. Por sermos amigas íntimas há tanto tempo, ela percebeu, de imediato, meu nervosismo e tentou apaziguá-lo. Começou nossa conversa comentando as novas fofocas da escola e eu, mesmo não me interessando por isso, escutei a fim de me acalmar.
- Você me chamou aqui com um propósito. Pode me dizer do que se trata? – ela mencionou com curiosidade.
- É sobre uma carta que recebi do... Do seu... Do seu irmão mais velho.
- Do Guilherme? – ela sobressaltou sua voz revelando espanto. – O que ele dizia nela?
Revelei tudo o que estava escrito com um pouco de medo, mas muita alegria. Havia dois anos que eu guardava um grande sentimento por ele, mas não tinha coragem de confessá-lo, principalmente pela nossa diferença de idade, que totalizavam em cinco anos. E esse sentimento se ampliava a cada dia. Mas, para a minha falta de sorte, ele descobriu. Ainda não sei ao certo como, mas foi muito constrangedor, principalmente quando nos encontrávamos no corredor da escola. E agora, naquela carta, ele fez diversas confissões que alegraram meu melancólico coração. Revelou que depois de descobrir minhas intenções com ele, começou a me observar melhor. E após descobrir um pouco mais sobre mim, um novo sentimento surgiu. Minhas qualidades são impressionantes e eu sou - como ele menciona - diferente das outras garotas. Tenho algo especial que o deixou fascinado.
O melhor, ou devo dizer, o mais impressionante em toda a carta é a sua última frase. Ela é pequena, direta e comprova tudo o que estava escrito. “Aceita ser minha namorada?”, foi a frase que me deixou estonteada de tanta euforia. Quanto à resposta, não havia dúvidas que seria positiva.
- Nossa! – Gabi estava pálida, mas feliz. – A melhor notícia que recebo. Finalmente somos cunhadas!
Limitei-me a sorrir enquanto ela falava sem parar. Não pude prestar atenção em suas palavras, já que estava sendo tomada por um sentimento mais forte que todos que eu já sentira. Ele era tão forte que podia controlar minha mente e meu coração simultaneamente. Era meu primeiro amor.
